quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sentido

Tateou as bordas do buraco ali deixado. Ali costumava residir um coração, diziam as más línguas.
Só encontrou os restos. Encontrou os pedaços; daquilo que um dia fora seu sonho, as lembranças soltas.

Não soube dizer quando; ou como; ou, sequer, onde. Algum fio soltara-se pelo caminho - sem olhar pra trás, sem querer conversa com os demais. O fio que ligava tudo.

Gritou com os pedaços encontrados: o contato com eles... frio, gélido, cortante. Meu Deus, por que doía tanto??


(Dizem que, certas horas, estar tão perdido é bom porque, se perdido, talvez encontremos algum sentido em tudo.

Ali estava ela - ou o que costumava ser ela.
Exatamente desse jeito. Como puderam previr.
Quem sabe... assim... o tal sentido dê as caras)